agua subterranea
                   ÁGUA    SUBTERRÂNEA

 

Uma forma interessante de se estudar os recursos hídricos subterrâneos, é compará-los com compostos químicos em equilíbrio e quando o equilíbrio é perturbado, tenta se ajustar e, tendo reabastecimento, o equilíbrio tende a reverter-se em “equação” original. Além disso, um novo fator permanente pode ser alterado, como, pôr exemplo, a água pode passar de doce para salgada.

 

Origem da Água Subterrânea

 

Praticamente toda a água subterrânea vem da chuva, originada pela evaporação do mar. Outras fontes, como fontes quentes e géiseres, são fenômenos superficiais onde a água “normal” desce ao fundo, é aquecida e volta à superfície através da pressão artesiana. Ás vezes ainda se observa a emissão de vapor pôr erupção vulcânica, resta dizer, porém, que essa quantia é insignificante.

 

Ocorrência da Água Subterrânea

 

Depois de confirmada a presença de água subterrânea, tem que se definir as partes de terra a serem consideradas, essas são divididas em quatro zonas:

 

Zona de Saturação ( mais profunda) : geralmente a uma distância abaixo da superfície. Nesta zona a terra está saturada até uma certa altitude, esta saturação é conhecida como lençol de água ( ou freático ).

Orla de Capilaridade ( logo acima da zona de saturação) : Na terra, a água dessa zona eleva-se nas aberturas finas acima da zona de saturação. Em experimentos foi visto que a altitude da orla se mantém em um limite prático de até três metros, estando nesse nível podemos crer que a evaporação da terra seja muito pouca, mas onde o lençol freático está muito perto, a água transfere-se à atmosfera pela orla de capilaridade e a perda de água pode ser muito importante.

Seção Intermediária ( encontra-se acima da orla de capilaridade) :

A água penetra nesta parte da terra e é drenada pela gravidade, até ao lençol de água, sendo assim, apenas poucos capilares tem água e, em geral, classifica-se esta zona como quase seca. Ela pode existir ou não, dependendo do nível de umidade.

Seção de umidade do solo ( superficial ) : Esta seção contém material orgânico e bem intemperisado e é geralmente  muito porosa. Recebe água da chuva, mas boa parte desta água retorna á atmosfera como transpiração. Outra parte é absorvida pela seção intermediária.

 

Tipos de Rochas e Suas Qualidades de Suprir Água.

 

Antes de discutir as qualidades das rochas, é preciso introduzir o conceito de permeabilidade. Permeabilidade é uma medida da capacidade de uma rocha de permitir a passagem de água sob condições fixadas, esta permeabilidade aplica-se à água na zona de saturação que se move devido à inclinação do lençol de água ou à diferença de pressão no sistema artesiano.

Considerando interstícios originais, o interesse maior é a permeabilidade da formação. É de pouco valor se uma formação tem muita água mas se esta passa muito lentamente ao poço. Como exemplo, um silte ou areia fina tem uma porosidade grande e uma descarga específica moderada, mas infelizmente a formação tem uma permeabilidade baixa e dá pouca água aos poços.

 

Interstícios originais - Os espaços entre partículas de uma rocha sedimentária, são as melhores fontes de água com poucas exceções. Onde as partículas são bem redondas sabemos que a formação tem muitos espaços vazios (poros). O limite teórico é 47,64% do volume total - uma areia fina contém tanta água quanto cascalho sendo que ambos são bem classificados. Onde a formação é mal classificada, pode-se ver que as partículas finas enchem os espaços entre as grandes e o volume vazio é menor.

É visto que mesmo que areia fina possa ter uma porosidade como o cascalho, os espaços na areia são pequenos, a água encontra dificuldade atravessando o material fino (permeabilidade baixa) e um poço na areia fina desenvolve pouca água. Devido ao tamanho dos grãos, silte tem uma permeabilidade menor e argila ainda muito menor.

Calcário, depois de muito tempo geológico, pode ficar compacto e cimentado e quase não tem nada de interstícios. Já calcário recente pode ter porosidade e permeabilidade grandes.

Arenito pode ter muito espaço interstício mas onde bem cimentado tem poucos espaços.

Rochas ígneas geralmente só tem poucos interstícios originais. Vemos exceções no basalto vesicular.

 

Interstícios secundários - Depois de arrefecidas e endurecidas, muitas rochas ígneas desenvolvem diaclases. Essas diaclases podem armazenar e transmitir água. Ocorrem nas rochas sedimentarias, provavelmente muito tempo depois da deposição.

Paraclases (falhas) podem ser extremamente importantes. Uma paraclase com rocha lateralmente muito diaclasada pode transmitir muita água a distâncias longas e pode admitir muita água de superfície. Ás vezes a paraclase pode estar cheia de farinha da rocha pulverizada e funcionará como barreira, impedindo o fluxo de água.

 

Interstícios de solução - Calcário dissolve-se facilmente na água tendo CO2. Em alguns lugares a solução alarga os interstícios originais produzindo uma rocha muito mais porosa.

 

Interstícios segundo intemperismo - Depois de meteorizadas, algumas rochas cristalinas ficam muito porosas e mais ou menos permeáveis. Armazenam muita água e as vezes dão água em quantidades moderadas.

 

Tipos de Rochas

 

Cascalho e Conglomerado

 

Aluvião dá mais água do que todas as outras rochas juntas.

O cascalho é depositado por correntes rápidas em um rio ou mar, uma condição pouco especial, e por isso, o cascalho geralmente é um pouco espesso e tem forma lent

 

Areia e Silte

 

Areia e silte ocorrem nos vales ou planaltos de aluvião, na planície costeira, com sedimentos depositados pela geleira ou dos rios que correm das geleiras. A diferença geológica entre cascalho e estas formações é que as camadas de areia e silte geralmente são mais extensas e mais espessas, mas falando de características hidrológicas a diferença é maior; cascalho limpo sempre dá muita água nos poços; areia, porém, dá bem menos água do que cascalho e o silte ainda dá menos que a areia.

Existem lugares em que as camadas de areia extensas proporcionam um volume de água armazenada que pode suprir poços por muitos anos sem reabastecimento de chuva.

Areia fina ou grossa, ou misturada com cascalho ou silte, é provavelmente a formação mais importante de todas como suprimento d

 

Calcário

 

Calcário pode dar muita água ou quase nenhuma. Calcário recentemente depositado tem muitos interstícios e uma grande permeabilidade. Porém  o calcário é facilmente dissolvido por água meteórica que contém CO2 em dissolução. Este processo e deposição do carbonato de cálcio em profundidade tendem a tornar mais porosa a parte acima do nível de água, e a parte abaixo do nível de água, compacta.

Em geral, os calcários recentes tem boa permeabilidade, aberturas primárias e secundárias; mas os mais antigos geralmente dão pouca água devido a compactação e cimentação.

As melhores condições para se tornar um bom aqüífero são: primeiro uma posição elevada acima do nível da água onde os calcários podem ser dissolvidos pela água que circula; segundo, afundando a terra, as cavernas e diaclases alargadas ficam na zona de saturação.

 

 

Argila, Folhelho e Ardósia

 

A argila pura não dá água, exceto quando raízes antigas deixam canais permitindo a entrada de pouca água. Uma mistura de areia e argila  pode dar quantidades pequenas de água.

O folhelho comumente dá muito pouca água, pois é uma formação plástica e as aberturas tendem a fechar-se. Às vezes o folhelho pode ser algo quebradiço e dá um pouco mais.

A ardósia sendo mais quebradiça, dá um pouco de água nas diaclases.

 

 

Gipsita

 

A gipsita é muito solúvel e camadas de gesso ou camadas de folhelho ou calcário contendo gipsita como impureza, desenvolvem uma permeabilidade secundária pela dissolução de sulfato de cálcio e podem dar muita água.

A água dessas formações tem um sabor ruim mas, esta água pode ser muito boa para a agricultura.

 

Carvão

 

O carvão é geralmente diaclasado e dá água em muitos lugares. A água é pouco mineralizada, mas geralmente tem cor castanha ou quase preta.

 

 

Basalto

 

Algumas áreas grandes de rochas basálticas são as mais ricas do mundo devido ao suprimento de água subterrânea.

Basalto com derrames pouco espessos tem muitas diaclases, desenvolvidas por contração durante o esfriamento. Muitos basaltos tem vesículas e onde as vesículas são ligadas, podem aceitar e transmitir água.

 

 

Rochas Cristalinas

 

As rochas cristalinas geralmente dão pouca água havendo, por isso, pouco desenvolvimento dos poços em tais áreas.

Consideramos aqui três grupos de rochas cristalinas: 1) rochas graníticas, 2) rochas xistosas e 3) quartzitos. Também é preciso distinguir entre rocha fresca e rocha intemperisada.

 

 

Rocha Granítica Fresca

 

Granito e gnaisse granítico são rochas duras sem espaços intersticiais; mas quase sempre a rocha tem diaclases interligadas que dão água. Naturalmente, a permeabilidade da rocha varia com o número de diaclases.

Além das diaclases comuns, existem outras aberturas que dão água. Paraclases ou outras zonas tectônicas podem ter alta importância.

 

 

Rocha Granítica Intemperizada

 

Em áreas mais ou menos planas há zonas de rochas intemperizadas por toda parte.

volume de água disponível varia com o grau de intemperismo. A rocha pouco intemperizada dará muito menos naturalmente.

 

Xisto

 

É uma formação plástica e ali as aberturas tendem a fechar-se, mas o xisto pode ter uma capacidade de dar tanta água quanto as rochas graníticas.

Xisto Intemperizado

 

Um xisto verdadeiro deve dar pelo intemperismo um solo muito argiloso. Vendo que um xisto é uma mistura de rochas, deve-se considerar que xisto meteorizado pode ter qualidades para suprir água como as rochas graníticas

Quartzito

 

Um quartzito duro pode funcionar como uma rocha quebradiça e só dará água das diaclases, mas onde um quartzito estiver bem fraturado poderá dar muita água.

 

 

Fatores que Influenciam na Infiltração

 

Intercepção - Uma parte de precipitação total é interceptada e tirada do capim, arbustos e árvores e devolvida ao ar como evaporação. Em uma área coberta, é considerado uma perda de até 15 % de água, enquanto que, em uma área sem cobertura, a perda é mínima.

 

Escoamento Superficial - Depois de cair na terra, a chuva tende a escoar-se superficialmente, naturalmente, onde a superfície tem uma inclinação considerável, a tendência  de escoar é maior do que quando a área é plana ou quase plana. Se a terra é compacta, a drenagem é superficial é muito importante mas, se a terra é coberta pôr vegetação a absorção do solo é quase total.

 

Vegetação - Sabemos que a permeabilidade de um solo é sempre maior quando a terra está coberta de vegetação.

Abaixo, dois diagramas mostram o efeito da cobertura vegetal na infiltração. No primeiro diagrama pode-se ver que a água infiltra-se rapidamente em uma área florestada a primeira hora e depois de uma hora a capacidade ainda é 0,4 polegada pôr hora. Mas na terra nua, segundo diagrama, a infiltração baixa apenas 0,2 polegada por hora no período de 10 minutos.

 

Condição do Solo - É evidente que uma porosidade grande com descarga específica moderada ou grande favorece a infiltração, mas sabemos bem que é preciso considerar outros fatores.

Um solo tendo matéria orgânica pode embeber muita água num tempo curto, isto é, é muito poroso. É visto também que um solo normal sobre um granito bem intemperisado, pôr exemplo, pode beber toda a chuva normal sem dificuldade e permitir passar esta água ao fundo rapidamente.

É dito que um solo fica compacto particularmente depois de arado e cultivado pôr muitos anos, com uma perda do material orgânico.

 

 

ace="Arial" size="2"> Uso da Água na Agricultura

 

Para se fazer uso de água subterrânea na irrigação de plantas, tem que ser levado em conta:

 

Salinidade da água, medida pôr condutividade.

Proporção de sódio com referência a cálcio e magnésio.

A tolerância das plantas.

A drenagem subterrânea.

A chuva anual que leva os sais do solo.

A gipsita no solo que pode permitir o uso da água mesmo que não seja muito boa.

O uso provável ou possível de adição desta gipsita caso o solo já não a tenha.

Volume de água usado nas plantas.

 

Além disso, usando água para irrigação, a água se evapora em parte e fica mais concentrada. Atingindo a zona de saturação essa água piora em qualidade. Naturalmente, depois de se utilizar da água três ou mais vezes desta maneira, durante o movimento abaixo do radiante hidráulico, a água tornar-se-á salobra.

Uma das fórmulas mais usadas para saber se a água é de boa qualidade para agricultura é a seguinte:

 

Na x 100 / Ca + Mg + K = percentagem de sódio no solo.

 

Nessa fórmula os constituintes estão expressos em mili-equivalente. Quando a percentagem de sódio é maior do que 60 %  a água não serve para irrigação.

 

 

Manutenção de Poços

 

Recarga pelas escavações - Em certos países usam-se escavações grandes para reter água das tempestades.

Estas escavações abertas nas formações permeáveis fazem passar a água para baixo até a zona de saturação à vazão de 900 litros por dia por pé quadrado. Uma escavação grande aceita de 1 até 10 milhões de litros de água por dia.

 

Espalhamento - Pode-se aplicar água na terra onde há declive pequeno ou nas depressões rasas, com uma série de diques baixos, que permitam a superabundância de água de uma área alta inundada que corre para a próxima área de altitude menor.

 

Fonte :  Cederstrom, D.J., Água Subterrânea - Uma Introdução, Centro de Publicações Técnicas da Aliança, Rio de Janeiro 1964, Capítulos I e II.

 

 

 

Generalidades da Água Continental Subterrânea

 


O ciclo da água na crosta terrestre possui um percurso bastante complexo, parcialmente dirigido pelo ciclo da atmosfera, importante veículo transportador da água, quer sob a forma de gotículas finamente dispersas, quer sob a forma gasosa. A energia necessária para este ciclo provém do calor solar, e assim , por um número infinitamente grande de vezes, uma molécula de água é evaporada do oceano e a ele retorna, precipitada pelas chuvas, podendo também cair no continente, infiltrando-se solo adentro, ser absorvida por uma planta qualquer que em pouco tempo devolverá a mesma molécula à atmosfera, podendo então, direta ou indiretamente, por meio dos regatos e rios retornar ao oceano. Estes são ciclos mais freqüentes, havendo, contudo, um número ilimitado de outros ciclos mais complexos e de importância geológica. Se considerarmos uma molécula de água saindo pela primeira vez à superfície terrestre, provinda das profundezas da crosta e trazida pelas atividades vulcânicas como água juvenil(que nem sempre é realmente juvenil, pois o magma pode ter assimilado sedimentos ricos em água, sendo esta novamente devolvida à superfície), poderá ela tomar diversos rumos. Condensando-se em chuva e caindo no oceano, poderá ser levada às grandes profundezas e novamente aprisionada junto aos sedimentos abissais por várias centenas de milênios, até ser novamente incorporada a um magma e novamente expulsa. Ou, então, terá de esperar a época em que esses sedimentos marinhos profundos sejam erguidos e após dezenas de milhões de anos transformados em montanhas, que lentamente serão erodidas, até libertar a molécula de água. Poderá também, graças à evaporação, ser levada à superfície continental onde poderá incorporar-se a um feldspato em vias de caulinização e ir fazer parte de uma argila após o devido transporte de deposição. Esta molécula retornará ao meio exterior somente depois de a argila ser soterrada a vários quilômetros de profundidade e transformada em rocha metamórfica. Aí, a molécula de água é expulsa graças às condições de alta pressão e temperatura, podendo ser incorporada a correntes profundas, e, por forças hidrostáticas, ser novamente conduzida à luz do sol. Se os ventos forem favoráveis, será conduzida às partes gélidas das montanhas, incorporando-se ao edifício cristalino de um cristal de gelo. Precipitada por longo período de tempo junto às neves eternas, delas poderá ser libertada pela sua transformação em água pelo degelo, se conseguir ser incorporada a alguma corrente líquido antes de novo congelamento. Se se precipitasse sobre uma região de clima temperado, poderia infiltrar-se terra adentro, onde haveria vários caminhos a tomar: surgir nalguma fonte, após um recurso subterrâneo ou ser incorporada numa substância mineral, vegetal, etc., ou infiltrar-se em níveis mais profundos, permanecendo por longo tempo na chamada zona de saturação. Essa água não permanece estacionada. Movimenta-se lenta e continuamente, pressionada pela água que se infiltra e pela gravidade, que faz com que o movimento seja contínuo. Esta molécula poderá retornar à superfície em tempo mais curto se for absorvida por alguma raiz que penetrasse nessa zona, que a expulsaria pela transpiração ou pela decomposição após a morte do tecido que a contivesse. Pela capilaridade, a água pode voltar à superfície, fenômeno verificado nas regiões áridas. A água acumulada nas profundezas, abaixo da zona de circulação livre, não está definitivamente estacionada, pois, graças à pressão hidrostática, ela circula lentamente, podendo ascender à superfície, incorporar-se ao fluxo dos rios e ser novamente evaporada. Caso contrário, voltará a circular quando a crosta for soerguida por processos tectônicos e gasta pela erosão. Há casos em que a água encontra condições propícias à penetração por mais de 8 km, através de fendas intercomunicáveis. Ao subir, pela pressão hidrostática, aquece-se, formando as fontes termais, como as de Caldas Novas, GO, e muitas outras. Estas fendas profundas, por onde penetra a água, formam-se em regiões afetadas por grandes arqueamentos tectônicos, que determinam forças de tração.


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Figura 1

O ar aquecido, em sua ascensão, leva consigo vapor de água, que se via acumulando até atingir o limite de saturação. Com isso, condensa-se e precipita-se sobre a terra em forma de chuva, orvalho ou neve.
A quantidade de precipitação anual varia muito de região para região. Assim é que, no Brasil, as maiores precipitações anuais são de 4 a 5 metros no alto da serra do Mar, Estado de São Paulo, nas proximidades de Cubatão. Valores mínimos com cerca de 0,5 m são constatados no polígono da seca do Nordeste. A evaporação é mais intensiva sobre os mares do que sobre os continentes, enquanto que as precipitações são mais ou menos equivalentes, nas proporções aproximadas de suas respectivas áreas. Assim, temos um excesso anual de precipitação sobre a evaporação nos continentes de cerca de 37.000 km3 de água. Este excesso de água é drenado continuamente para o mar, realizando no seu percurso um trabalho intensivo de erosão, transporte e deposição. Temos assim o circuito anual da água no globo terrestre (figura 1). A tabela 1 nos mostra as quantidades absolutas de água nos diferentes ambientes da Terra.

Tabela 1 - Volume e massa da hidrosfera - Segundo Arie Polderwaart, Special Papel, 62, Geol. Soc. of América, E.U.A., 1955.

 

Volume Total

( x 10 ³*² km³)

Vol.(litros) por cm² da

superfície terrestre

Massa Total

(x 10 15 t)

Massa (kg) por cm² da superfície terrestre

Oceanos.......................

Lagos Rios..................

Gelo............................

Atmosfera....................

Sedimentos..................

13700

0,5

22

0,013

196

268,6

0,1

4,3

--

38,4

1420

0,5

22

0,013

201

278,4

0,1

4,3

--

39,4

Hidrosfera....................

1589

311,6

1644

322,4

 

Desde os tempos antigos o homem já fazia uso da água subterrânea, nas regiões menos chuvosas, e também procurou explicar a sua origem, cometendo vários erros, muitos dos quais perduram até os dias de hoje. Entre os leigos impera a crença de que a água subterrânea circula como rios, chamados quase sempre de "veias de água". É comum ouvir-se dizer que um poço é seco porque "não deu na veia". É freqüentemente procurada pelo método da rabdomancia(do grego rhabdos, varinha), método que acreditado pela grande maioria dos não-versados nas ciências geológicas.

Figura 1


Parte da água da precipitação atmosférica infiltra-se no solo, onde podemos distinguir duas zonas: a saturada e a zona de aeração, ou subsaturada (figura 1). Acham-se separadas pela chamada superfície piezométrica, designada também por lençol freático ou por nível hidrostático(expressões atualmente em desuso), cuja profundidade varia com as mudanças climáticas, com a topografia da região e com a permeabilidade das rochas.

A zona inferior é denominada zona de saturação porque todos os poros e interstícios da rocha se acham saturados de água. Reserva-se a expressão água subterrânea à água situada abaixo da superfície piezométrica. Aquela contida na zona de aeração dá se a designação de água edáfica(do grego edafos, solo).

A água edáfica pode apresentar-se sob três maneiras diferentes: água gravitativa é a que se escoa terra adentro, logo após a precipitação ou fusão das neves. À água aderida às partículas do solo por forças de adsorção, pode-se dar o nome de água pelicular, e a retida em interstícios microscópicos, presa por forças capitalares, é chamada de água capilar.

O excesso de água da zona saturada, proveniente das precipitações atmosféricas, migrará em direção dos vales indo alimentar as correntes de água. Graças à lentidão deste movimento pelo atrito às partículas rochosas aproximadamente a topografia, . Sendo alta a permeabilidade do terreno, a tendência é dela tornar-se mais plana, dado o mais rápido escoamento.

A velocidade com que a água subterrânea migra varia de alguns centímetros a 6 metros por dia. Excepcionalmente pode alcançar 120 metros por dia. O plano horizontal que tangência as partes mais baixas (não cobertas pelas águas, como são os leitos dos rios), que drenam uma determinada região, denomina-se nível de drenagem. Em regiões calcárias, graças à formação de cavernas subterrâneas, que são escoadouros naturais das águas de infiltração, o nível de drenagem é inferior ao nível dos rios, que muitas vezes desaparecem solo adentro nos chamados sumidouros, podendo nascer como fonte ressurgente longe do lugar da infiltração.


Nas regiões de Apiaí e Iporanga(Estado de São Paulo), conhecidas pelas belíssimas cavernas calcárias, são freqüentes tais sumidouros. Quanto à superfície piezométrica na região da cidade de São Paulo, observam-se profundidades que variam de poucos metros até mais de 30m abaixo da superfície.

Em regiões mais secas ou muito permeáveis, desce até 100 metros, podendo haver variações da profundidade conforme a estação do ano, pois sabemos que, na época de estiagem, a grande evaporação e a ausência de chuvas determinam o abaixamento da superfície piezométrica. A profundidade máxima atingida pela água subterrânea é muito variável e depende essencialmente da rocha que a contém.

Em rochas cristalinas a capacidade de armazenar água diminui rapidamente em relação à profundidade enquanto que em rochas sedimentares, principalmente nas de origem clástica, se encontra uma certa porosidade mesmo em grandes profundidades (alguns milhares de metros), o que permite ainda o armazenamento de água subterrânea em tal região.

Nos extensos baixios, a água subterrânea não se movimenta; mas, onde houver elevações, o peso da água das áreas mais elevadas faz com que se verifique a movimentação lenta da água em profundidade, calcada pela pressão hidrostática. Esse movimento pode ser da ordem de

grandeza de alguns milímetros por ano. A água não se infiltra indefinidamente terra adentro, porque, nas regiões mais profundas, tanto os poros como os capilares se vão tornando cada vez menores, fechando-se graças à compressão causada pelo peso das rochas superiores. No planalto da cidade de São Paulo, cujo embasamento é constituído de rochas cristalinas, o limite inferior da água subterrânea aproveitável varia entre 100 e 250 metros em relação à superfície

 

Todas as rochas apresentam uma capacidade variável de armazenamento de água, que é determinada pela presença de numerosos poros (rochas sedimentares clásticas ou basaltos vesiculares), ou por serem atravessadas por inúmeras fendas e capilares (rochas compactas, geralmente cristalinas). Dá-se o nome de porosidade de uma rocha à relação existente entre o volume dos poros e o volume total, relação esta expressa em percentagem. Quanto a quantidade é tal, que permita a sua extração econômica dá-se o nome de aqüífero.

Se os poros forem de dimensões que permitam o escoamento da água e intercomunicáveis, a rocha terá uma grande capacidade tanto para armazenar como para fornecer água. É o caso geral das rochas sedimentares grosseiras de origem clástica, nas quais a água circula facilmente entre os grãos. Mas, se os poros não se comunicarem, a água ficará neles retida e a rocha terá capacidade somente para armazenar mas não para fornecer. Como exemplo podemos citar as lavas ricas em vesículas isoladas que, apesar de apresentarem porosidade alta, não são boas fornecedoras. O mesmo acontece quando os poros ou os capilares são extremamente finos, como no caso das argilas, os quais podem receber água mas não permitem a sua circulação depois de saturados.

Em uma rocha sedimentar clástica, a porosidade vai depender maior ou menor uniformidade do tamanho das partículas, ou seja, do grau de seleção. É evidente que quanto maior for a seleção, isto é, maior uniformidade dos tamanhos, maior será a porosidade, pois num sedimento mal selecionado as partículas menores ocuparão os espaços existentes entre as maiores, ocasionando uma diminuição na porosidade. Também a disposição de esferas iguais, tocando-se sempre, pode o volume dos poros variar de 25,95% a 47,64%, como se ve na figura 1.

Figura 1

Este valor máximo verifica-se quando as esferas se situam a 90o. na sua disposição espacial. No caso das argilas, onde o tamanho das partículas é de dimensões coloidais, sendo tais partículas por sua vez porosas e resultantes da agregação de micelas, a porosidade torna-se bastante aumentada, podendo atingir o valor de 50%. De um modo geral a porosidade nos sedimentos clásticos arenosos varia de 12 a 35%, pois o grau de cimentação e a sua compactação também fazem variar bastante o volume dos poros. A tabela 1 mostra-nos alguns exemplos de porosidade em função da rocha.

Tabela 1

Rocha

Porosidade

Areia Grossa e Cascalho

Arenito Botucatu

Argila

Granito

20 % a 40 %

18 %

Até 50%

0,5 a 2%


A propriedade de permitir a circulação da água designa-se permeabilidade. Esta é tanto mais elevada quanto maiores forem os poros ou fendas comunicáveis entre si, como encontramos no cascalho, sendo praticamente nula em rochas de poros finos. É o caso das argilas, que possuem geralmente uma porosidade elevada, isto é, podem absorver muita água, mas um permeabilidade muito pequena, que não permite a sua circulação pelo fato de ficar retida nos interstícios microscópicos por forças capilares e por forças de adsorção.

Hoje em dia fala-se em coeficiente de armazenamento, que representa o valor total médio das porosidades das rochas que compõem o aqüífero, devendo ser lembrado que grande parte da água fica retida nos interstícios, aderida pela capilaridade e adsorção. À capacidade de vazão, que se relaciona à permeabilidade média das diferentes rochas de um aqüífero, dá-se o nome de coeficiente de transmissividade.

Há regiões onde as rochas armazenadoras de água são distribuídas de maneira homogênea, como nas áreas cobertas pelos arenitos da Formação Bauru(Cretáceo Superior) ou os da Formação Botucatu(Cretáceo Inferior) do Estado de São Paulo. Nestas áreas a água subterrânea distribui-se uniformemente.

Os lugares mais adequados para a procura de água são os mais baixos da simples razão de estarem mais próximos do lençol aqüífero, o que permite uma perfuração mais rasa e portanto menos dispendiosa, e também pela razão de haver maior pressão hidrostática, graças à maior coluna de água existente. Já em outras áreas, como a cidade de São Paulo, as rochas são heterogêneas.

Alternam-se irregularmente arenitos finos ou grosseiros, conglomerados e argilas, em camadas irregulares geralmente de forma lenticular, variando a espessura de decímetros a vários metros. Assim, é possível que em uma perfuração a água verta nos primeiros 20 metros (se predominarem arenitos ou cascalhos nesta região), a seguir poderá cessar a emanação por muitas dezenas de metros, graças à diminuição da permeabilidade da rocha. Mesmo que esteja saturada de água, esta permanecerá retida por forças capilares. Mas abaixo ainda, se a sorte favorecer o encontro de alguma lente de arenito grosseiro, bem permeável (que, quanto mais expeço mais rico será em água), haverá nova exsudação. Frequentemente esta sucessão se repete por várias vezes é o que mostra a figura 2.


Figura 2

 

A água subterrânea escoa-se lentamente no subsolo, dos lugares mais altos para os mais baixos, desde que não encontre uma barreira impermeável, veja a figura 1.

 

Figura 1

A velocidade é relativamente pequena devido ao atrito nas paredes dos capilares e dos poros. Numa areia a água movimenta-se com a velocidade de cerca de 1m por dia; no Arenito Botucatu, em volta de 10cm por dia e nas argilas o movimento é praticamente nulo. Nas rochas muito diaclasadas a velocidade pode ser muito rápida. É preciso notar que estes dados são referentes a rochas submetidas às condições normais de pressão na superfície da terra, cujo valor aproximado é de uma atmosfera.

Podemos medir a permeabilidade de uma rocha em laboratório com aparelhos denominados permeâmetros. Nestes, utilizam-se amostras de seção e comprimento determinados, que são atravessadas por um fluído líquido ou gasoso, sob pressões conhecidas. O grau de permeabilidade é medido em função da pressão atmosférica que atua sobre o fluído percolante (ou seja, a diferença da pressão aplicada para a entrada do fluído e da obtida na saída do mesmo) e, ainda, em função do comprimento da amostra, da sua área em contato com o fluído e da viscosidade deste.

A unidade de tal medição denomina-se darcy. Assim, uma rocha possui a permeabilidade de um darcy se permitir a passagem, sob pressão diferencial de uma atmosfera, de 1cm3 por segundo de fluído com viscosidade igual a um centipoise (água a 20o.C) por uma seção de 1cm2 e de 1 cm de comprimento. A fim de serem evitados os números fracionários, usa-se a unidade milidarcy. Uma rocha com 400 milidarcys pode ser considerada de permeabilidade favorável para a produção abundante de água subterrânea. As rochas que possuem estratificação apresentam valores diferentes de permeabilidade, quando medidos na direção paralela ou perpendicular à estratificação.

Assim, para o Arenito Botucatu foram determinados valores de 731 milidarcys, quando medida a permeabilidade na direção perpendicular à estratificação e de 1.173 milidarcys quando na direção paralela.

 

O abastecimento de água potável e industrial no Brasil realiza-se mais comumente com o aproveitamento das águas superficiais (rios, lagos, etc.), ao contrário de outras regiões, onde a fonte principal de abastecimento é a água subterrânea, cujo uso elimina as inconveniências de um tratamento caro e permite um abastecimento local fácil.

Nas regiões de pluviosidade intensa encontra-se normalmente água subterrânea em quantidade variável, conforme as condições geológicas. As rochas sedimentares de caráter arenoso ou conglomerático são em geral boas como reservatório, sendo também altamente permeáveis, ao contrário dos sedimentos argilosos. As rochas cristalinas, tanto magmáticas como metamórficas, contêm água nas fendas finas e capilares, dando vazões geralmente menores do que os sedimentos arenosos. Uma exceção a esta regra constituem as lavas basálticas, que apresentam zonas vesiculares. Estas, quando atravessadas por diáclases ou fendas, ou quando alteradas, são ótimas provedoras de água.

A tabela 1 traduz os resultados de sondagens para água, obtidos nos últimos anos no Estado de São Paulo.

 

Rochas cristalinas(gnaisse, granitto, etc.)

Rochas sedimentares da Bacia de São Paulo

Arenitos mesozóicos no interior de São Paulo

Lavas basálticas

Vazão média dos poços produtores

Vazão máxima

Nível hidrostático

Profundidade média dos poços

% dos poços com vazão inferior a 1000 l/h

4.000 l/h

23.000 l/h

11m

150m

20%

9,00 l/h

60,000 l/h

5 m

80 m

30%

14,000 l/h

300.000 l/h

25m

200m

10%

9,000 l/h

60.000 l/h

20m

70m

20%

Tabela 1

 

Pelos dados dessa tabela chega-se às seguintes conclusões:

1) As rochas cristalinas (que ocupam a parte oriental do Estado de São Paulo) são fornecedoras de água em quantidade média. A percentagem de poços secos diminuirá se a localização do poço for adequada, mas estes devem atingir uma profundidade relativamente grande, de cerca de 150m. Em certos casos (são relativamente raros) tem-se produzido água à profundidade de até 200m, fato verificado nas proximidades da Via Anchieta.

2) A distribuição de água subterrânea nas rochas sedimentares da bacia de São Paulo é bastante irregular. Ocorrem camadas lenticulares de areia e cascalho, ótimos provedores de água. Por outro lado, em certas regiões predomimam sedimentos argilosos, impermeáveis, com pouca ou nenhuma capacidade para o fornecimento de água.

3) Os arenitos mesozóicos são quase infalíveis para a obtenção de água, explicando-se esta constância pela sua homogeneidade granulométrica tanto em extensão como em profundidade. Acentuamos que a parte ocidental do interior do Estado de São Paulo, apesar de gozar dessas condições, tem sido, contudo, pouco aproveitada. As vazões médias desses arenitos são as mais elevadas de todo o Estado.

4) As lavas basálticas são boas provedoras de água em profundidade relativamente pequena. A vazão tem-se demonstrado boa, sendo pequeno o número de pocos secos. Na região semi-árida no Nordeste brasileiro vem se executando um programa de perfurações para água subterrânea, tanto nas áreas cobertas por sedimentos, como nas áreas cristalinas, onde predomimam gnaisses. Nestas últimas perfuraram-se 4000 poços, cuja profundidade média é de 60 metros. A média das vazões é ao redor de 300 litros por hora. Nas áreas sedimentares, por sua vez, foram perfurados 12000 poços, mais comumente em arenitos e calcários. A profundidade média é de 150 metros e a média das vazões é de 20000 litros por hora, o que vem demonstrar a importância humana da pesquisa geológica para a água subterrânea.

De alta importância para o homem do litoral é o comportamento da água subterrânea doce na região praiana. De um modo geral, a água doce subterrânea avança até a beira-mar. Este lençol de água doce flutua sobre a água salgada mais pesada, que por sua vez, pode penetrar debaixo da água doce, rumo ao continente. Assim é possível a obtenção de água doce por meio de poços relativamente rasos, mesmos na praias. Deve-se, contudo, evitar que a água salgada subjacente seja atingida, ocasionando a contaminação da água doce.

A figura 1 ilustra uma perfuração realizada em São Vicente- SP, que forneceu água doce até a profundidade de 34m. Abaixo desse nível a sondagem atingiu a água salgada, dando-se a mistura das duas águas e inutilizando o poço.

Figura 1

 

A temperatura da água subterrânea corresponde normalmente à temperatura média anual da região. Mas, sob certas condições geológicas, a água pode penetrar a centenas de metros, tornando-se aquecida nestas profundidades graças ao grau geotérmico da região, ascendendo então, principalmente, por falhas ou por diáclases profundas, com a temperatura bastante elevada. A causa da ascenção da água quente obedece também ao princípio dos vasos comunicantes. São do município de Caldas Novas, GO, aproveitadas para fins turísticos. Em uma delas, a temperatura chega a 60O.C. Uma fonte é considerada como termal se a sua temperatura exceder a 5o.C. a temperatura média da região.

Composição Química

A composição química dos solutos da água varia muito conforme a natureza petrográfica e o grau de alteração intempérica das rochas percoladas. Se a água percola rochas ricas em carbonatos de cálcio, ferro ou magnésio, ela dissolve esses sais solúveis sob a forma de bicarbonatos. Estes elementos podem ainda ser transportados sob a forma de cloretos ou sulfatos. Em se tratando de sais de ferro, estes oxidam-se facilmente se as águas forem arejadas, transformando-se em hidróxidos, que são transportados sob a forma coloidal. Não é demais ressaltar a importância da composição química da água para seu aproveitamento. Se o teor de sais de cálcio ou de magnésio é relativamente elevado, designa-se a água como dura. Vários graus de dureza são usados. Assim:

1 grau francês: 10mg de CaCO3 em 1 litro de água(o mais usado no Brasil)
1 grau alemão: 10mg de CAO em 1 litro de água
1 grau inglês: 10mg de CaCO3 em 0,7 litro de água


As águas que possuírem menos de 5 graus franceses são

consideradas moles. De 16 a 30 graus são consideradas duras. Acima de 30 graus de dureza o seu uso torna-se bastante limitado, pois é salobra, não faz espuma com sabão e é muito perigosa quando usada em caldeiras de máquinas de vapor, pela formação de crostas de carbonato no interior da caldeira, ocasionando o superaquecimento e consequentemente explosão. A Água com grau de dureza 60 é quase sempre imprestável para qualquer fim. É possível diminuir artificialmente a dureza de qualquer água.

As chamadas fontes de águas minerais , utilizadas muitas vezes para fins terapêuticos, possuem na maioria das vezes uma quantidade acima do normal de sais em dissolução. O nosso Código de Águas Minerais define-as como sendo "aquelas provenientes de fontes naturais ou de fontes artificialmente captadas que possuem composição química ou propriedades físicas ou físico-químicas distintas das águas comuns, com características que lhes confiram uma ação medicamentosa". Para que seja agradável ao paladar, não deve predominar entre os sais o sulfato ou bicardonato de cálcio, que tornam a água salobra. Sua classificação segue normalmente o critério da composição química. Como exemplos, tomos as fontes de águas radioativas de Araxá, Estado de Minas Gerais, as Alcalinas de Prata e Lindóia, as sulfurosas de São Pedro, Estado de São Paulo, as magnesianas de São Lourenço, Minas Gerais, etc.

 

 

 

 

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